Produzido por Bruna, Monique, Yuri, Marciel e Luiz André, alunos de Patrícia Weber na disciplina Introdução ao Jornalismo, curso de Jornalismo da Unisinos, em São Leopoldo (RS). Este é um espaço que tem a intenção de ir além dos limites da sala de aula. Invisibilidade Social é um fenômeno que surpreende. Você vai querer participar.
domingo, 19 de junho de 2011
Invisibilidade social na vida de garis
Texto
Marciel Agostini
Estudante de Jornalismo
Pesquisa e reportagem
Bruna Catharine
Estudante de Jornalismo
Fotografia
Monique Elis Hummes
Estudante de Jornalismo
A invisibilidade social está mais presente no nosso dia a dia do que imaginamos. O termo é utilizado para traduzir o comportamento da sociedade perante profissionais que exercem funções desprovidas de status, glamour, reconhecimento social e adequada remuneração.
Esse grave preconceito que a grande parte da sociedade possui que hoje é movida pelo nível de consumo de bens materiais, é facilmente visto em profissões como garis, lixeiros, faxineiras, seguranças, frentistas, garçons, cobradores de ônibus e outras de caráter operacional.
Assim, os trabalhadores que executam tarefas imprescindíveis à sociedade moderna, mas assumidas como de categoria inferior pelos mais variados motivos, geralmente não são nem percebidos como seres humanos, e sim apenas como “elementos” que realizam trabalhos a que um membro das classes superiores jamais se submeteria. Em conseqüência, o que não é reconhecido não é visto.
No nosso caso abordamos o exemplo dos garis. É aquele homem/mulher que tem como traje um uniforme de cor alaranjada que apesar de ser uma cor “chamativa”, para muitos cidadãos não faz muita diferença, ou simplesmente ignoram enxergar.
Os profissionais da limpeza, pois, convivem diariamente com produtos de limpeza e instrumentos para a remoção de sujeira- que nós cidadãos jogamos ou já jogamos - em vias públicas, geralmente são pessoas de classe baixa, que ganham a vida fazendo a limpeza de nossas cidades. Enfrentam sol e chuva, percorrendo nossos bairros e ruas realizando a remoção de lixo de nossas cidades. E geralmente estão expostos a doenças como, por exemplo, a leptospirose, adquirida pelas remoções de animais mortos que na maioria das vezes são encontrados perto de bueiros. Sem falar nas más condições de trabalho – utilização de instrumentos inadequados para a realização do serviço – como vassouras de baixa estatura (muitas vezes em pedaços) e outras ferramentas que prejudicam a postura destes profissionais. Além do trabalho não ser bem visto e bem pago, os garis ainda sofrem com outro tema bastante complexo: a invisibilidade social.
Os trabalhadores desta área percebem a dificuldade que é, de se relacionarem com outras pessoas, quando estão uniformizados de gari. A falta de valorização do trabalho que realizam é surpreendentemente grandiosa por parte dos moradores do município.
Para a dona de casa, Roseli M., de 43 anos, nunca houve uma atenção voltada para esta profissão. “Sempre passei por garis nas ruas de Sapiranga e nunca cumprimentei nenhum. Nunca achei necessário fazer isso”, conta a moradora.
Gari há mais de 35 anos, seu J.P.S. (não quis identificar-se), de 52 anos, relata seu descontentamento sobre o tema “invisibilidade social”. “Já fui gari em outras duas cidades da região, mas em nenhuma delas, me senti uma pessoa bem vista pelas outras pessoas. Teve vezes que, enquanto eu varria alguma rua, pessoas fingiam que não me viam e tocavam lixo na frente do meu carrinho de limpeza. Até hoje isso acontece”, conta seu J.
Muitos de nós, cidadãos devemos nos conscientizar do quão desumanos podemos ser, agindo como cegos diante a sociedade. Com um simples “Oi”, dito de boa fé, pode muitas vezes fazer bem a alguém que somente faz bem para nossa cidade. Somos todos iguais perante a lei e iremos para o mesmo lugar quando terminarmos nossa missão na Terra. Pense nisso.
Marcadores:
gari,
invisibilidade social,
jornalismo,
unisinos
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário